Shangri-la
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quinta-feira, outubro 20, 2005
Um homem de veludo
LhassaUm homem de veludo
atravessa a estrada.
Com ele leva a leveza do ser,
sustenta-a, com dificuldade.
Pára, sucedendo-lhe a brandura,
o costume de parar,
seguido do ímpeto de continuar.
Sorri ao passeio,
ao calcário, ao ornamento.
O homem de veludo
necessita de se encontrar.
Regressa à estrada,
deita-se cuidadosamente n
uma faixa branca,
criteriosamente escolhida p
ara descansar.
O homem de veludo
quer descansar.
A travessia é amorfa,
demorada, silente.
Ao deitar-se cruza os braços,
fecha os olhos,
e sente o cheiro das madeiras.
O homem de veludo
é agora tolhido de movimento,
caem-lhe lágrimas
familiares no rosto,
e não pode fazer nada.
Nuno Travanca
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